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Todos somos 15

Dentro de dois dias o técnico do 15 de Novembro, Mano Menezes, completa 42 anos. Ontem, a poucas horas do confronto contra o Santo André, pela semifinal da Copa do Brasil, já lançou o alerta aos jogadores: - Quero o meu presente antecipado, como não?

A homenagem com fogos de artifício, caso se classifique ou não para a final, está programada pela legião de torcedores que deve partir hoje à noite em pelo menos 30 ônibus do Estádio Sady Schmidt, em Campo Bom, rumo ao Olímpico, cenário da partida, em Porto Alegre. Será na entrada do time no gramado. Até ontem, 6 mil ingressos haviam sido vendidos. Eles deverão se juntar aos colorados e gremistas que adotaram o 15 e estarão hoje no Olímpico torcendo pelo sucesso do futebol gaúcho na Copa do Brasil.

- Eu mesma dei R$ 200 em fogos. É quatro vezes o que eu comprava para uma partida. Vai ser uma festa! - exalta a presidente da organizada Camisa 15, a artesã Cláudia Araújo, 32 anos.

A cor da camisa oficial do time invade marquises e sacadas dos prédios, e os corações dos fãs do 15. A Avenida Brasil, a mais movimentada do centro de Campo Bom, passou a abrigar em cada esquina vendedores de bandeiras do time.

Um deles, sósia do atacante Dauri, o autônomo Luiz Cláudio Lino, 32 anos, abandonou São Paulo atraído pelo desempenho do 15 na Copa do Brasil. Ele suspeitou que, em Campo Bom, uma cidade de 55 mil habitantes, conseguiria lucrar mais com seu ofício do que na maior metrópole da América do Sul, onde vivem 17 milhões de pessoas. O palpite foi certeiro.

- Conheço Dauri faz tempo, pela televisão, desde que ele jogava no Grêmio. Os gols que está fazendo nesta Copa do Brasil são uma consagração - opina o paulistano Lino, que assistiu no Pacaembu à primeira partida contra o Santo André, no último dia 26, torcendo pelo 15.

Vendedor trocou bandeiras do Inter pelas do 15

Seu colega de batente, o porto-alegrense Benito dos Santos Menezes, 43 anos, tentou vender bandeiras do tricampeão Inter, mas ficou com o estoque empacado. Só saiu uma. Do 15, está vendendo 50 por dia. A pequena, com um cabo de adequação aos veículos, sai por R$ 10. A grande, pechinchando, fica por R$ 15.

- Esta cidade é uma alegria só. Nunca vi isso numa cidade do Interior - comenta, satisfeito.

O tremular das bandeiras em meio à avenida conquistou a torcida até de quem ignorava a façanha do 15. É o caso do comerciante Darci da Silva, 48 anos, dono de uma loja de R$ 1,99. Na Avenida Brasil, seu prédio, sem vestígios das cores do 15, tornou-se exceção. Tanto que ontem decidiu correr para se livrar do prejuízo:

- Ficou até chato pra mim. Olho para todo o lado, todo mundo aparece com uma bandeira na fachada. Só eu que não tinha.

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Fonte: Zero Hora
Data de publicação: 09/06/2004


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